fbpx

Quando os influenciadores não sabem o que fazem…

Aquando da definição de uma estratégia de influenciadores digitais, uma das fases mais importantes e estimulantes para as equipas de marketing é a seleção das individualidades que farão parte do painel de influência, ou na seleção do embaixador da marca.

Sempre que se chega a este ponto, por muito bem definido que esteja o objetivo da campanha e quais os KPIs que se pretendem alcançar, a discussão é acesa e o esgrimir de argumentos em prol dos diversos candidatos influenciadores é sempre quente.

A razão da discussão muitas vezes prende-se com gostos ou interesses, porém o argumentário mais forte é o de: “como é que se enquadra na nossa marca? Como é que os nossos públicos vão reagir ao usarmos influenciador A ou influenciador B?”

É importante que as marcas tenham sempre presente que os influenciadores são pessoas, e que cometem erros, bem como têm personalidade e que nem sempre terão a postura mais própria perante os seus próprios públicos. Falhas são humanas, riscos todos devemos correr,. porém uma marca deve procurar sempre minimizar esses riscos. De que vale ter alguém a promover a marca, se ela não se revê ou tem preferência por uma marca concorrente? O que é que isto diz da marca? Simples, diz que não foi feito o trabalho de casa.

Ora vejamos um caso real, que aconteceu no início deste mês de Setembro de 2020 (para ser menos polémico e não ferir suscetibilidades, o caso que apresentamos vem do mercado brasileiro. Sim que isto em Portugal não acontece (poucas vezes)! ).

Marcela McGowan, nome perfeitamente desconhecido no mercado português, é uma influenciadora com mais de 20 Milhões de seguidores brasileiros no Instagram, devido à sua participação no Big Brother Brasil 2020 (BBB20), do seu assumido apoio à causa LGBT e mais recentemente pela guerra aberta entre duas marcas de Pizza (Domino’s e Pizza Hut).

Numa ação de influência digital focada no seu brand awareness a Domino’s contratou a influenciadora para fazer alguns conteúdos com product placement, e naturalmente indicar a marca. Nada de errado!

Ao que a Marcela avançou de imediato para a produção de um conteúdo impactante onde o produto se destacaria!

Uau! Um Instagram Story produzido no ambiente da cozinha e com caixas de pizza que davam para alimentar um regimento de bombeiros!!! PERFEITO!

Agora que está criado, lá foi ela publicar o vídeo sem se esquecer de referenciar a marca Domino’s com o seu alias @pizzahutbrasil . Tudo feito como deve ser (OU TALVEZ NÃO: AFINAL QUEM É QUE PAGOU?)

Bem, vamos lá ver, mas então coloca-se o alias da principal concorrente? Mas porquê? Ups…

O barulho que produziu este story nas redes brasileiras é único e imperdível, levando mesmo as duas marcas a terem de entrar em ação e dizer algo sobre o tema (mas isto só acontece quando se tem boas equipas de marketing e community managers especializados – um dia destes falaremos só sobre community management)

Não comentamos sobre o que foi escrito, nem entramos em teorias da conspiração sobre se isto foi ou não foi uma tática de marketing de guerrilha arriscado por parte da marca (se foi, foi muito bem feito, mas deixa sempre um trago amargo de ter de repartir o espaço com outra marca, a qual também soube estar à altura).

Com este exemplo queremos realçar a necessidade de não escolher bem, como ajudar e estar por perto de quem se seleciona para influenciador a trabalhar com a marca, nunca deixando de ser espontâneo e real (sinceramente aquele montão de pizzas em casa só se tivesse a casa cheia de gente para uma festa de última hora).

Isto leva-nos a deixar algumas dicas a ter em atenção:

  1. Defina bem a estratégia para a campanha de marketing de influência
  2. Assegure-se que esta estratégia está alinhada com a estratégia de negócio da marca
  3. Crie as suas buyer personas
  4. Tenha bem presente a Missão, Visão e Valores da marca e da empresa
  5. Crie uma lista de potenciais influenciadores
  6. Veja com a sua equipa (interna ou externa) o perfil de cada um dos influenciadroes selecionados
  7. Compare os perfis dos influenciadores com os valores da marca
  8. Reveja o histórico de trabalho de cada um dos influenciadores (para que não haja situações de conflito de interesses ou de reconhecimento forte de branding concorrencial)
  9. Entreviste os influenciadores pré-selecionados
  10. Defina regras de apresentação da marca por parte dos influenciadores
  11. Trabalhe lado a lado com o influenciador(es) selecionado(s)

Deixe um comentário