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Como a Internet mudou mentalidades em tempos de Covid-19

Uma tempestade no início de 2020 alterou as nossas vidas, levou-nos a restruturar a forma de estar, de sociabilizar e de trabalhar. Esta alteração de hábitos já levou mesmo alguns especialistas de marketing e do digital a cunhar uma nova era, a pós-Covid, porém será que é mesmo assim? Será que a tormenta trouxe um novo paradigma social e económico, ou estaremos simplesmente a forçar o ciclo natural de adoção de novas ferramentas digitais?

Jeremy Dean, psicólogo e autor do livro “Porque Fazemos e Que Fazemos”, refere que para alterar um hábito há que passar a agir de uma nova forma por 21 dias consecutivos. Sendo esta a regra, o tempo de confinamento forçado a que todos estivemos sujeitos não só nos levou a efetuar um ciclo completo, como em alguns casos, a reforçá-lo.

O período pandémico teve como consequência, mais do que a mudança de mentalidades, o forçar da adoção de hábitos pré-existentes como nova norma. Nada do que foi adotado pelos consumidores foi criado durante estes 40 dias de maior reclusão, porém a necessidade natural de sociabilizar, sobreviver e trabalhar obrigou a “aguçar o engenho” e fez com que se procurassem as ferramentas que permitissem reduzir a distância e criar uma nova normalidade no dia a dia.

Exemplo disso foi a adoção de ferramentas de comunicação com recurso a vídeo, tecnologia pré-existente e com várias décadas, que após a sua adoção e uso massivo tem levado a uma avaliação por parte das empresas e trabalhadores sobre a necessidade das reuniões presenciais, pois o recurso a uma videochamada não só consome menos tempo como permite ser mais produtivo.

Este período também ajudou a eliminar mitos sobre o comércio eletrónico, bem como a realçar os pontos mais frágeis da sua cadeia de valor, caso da segurança, rede e processo logístico. Este período foi um excelente tubo de ensaio para as empresas validarem toda a sua atividade e perceberem como melhorar a experiência total dos seus consumidores.

Como referido pela IDC, esta pandemia provocou uma adoção de processos de transformação digital de forma acelerada, que não foi possível efetuar durante a última década. Até na educação podemos ver uma mudança da atitude: a procura de nova formação quer para hard quer soft skills ganhou outra dinâmica. Do mesmo modo, entidades formadoras e alunos viram-se forçados a ter uma postura mais proativa e atenta à interação à distância.

Com tudo isto percebemos que o que faltava fazer era a mudança de atitude por parte do consumidor e utilizador tecnológico, sendo que a tecnologia e a internet terão um papel central e fundamental para o novo quotidiano. Muitos serão aqueles que já não irão regressar aos espaços trabalho, vulgo escritório, ficarão, por vontade própria ou por acordo mútuo, a trabalhar remotamente.

A internet e os serviços web serão cada vez mais o novo normal para o dia a dia de cada um de nós. Isto significa uma oportunidade para o desenvolvimento de novos canais de integração de comunicação e marketing para as marcas, que permitam uma nova experiência para o consumidor, que será cada vez mais exigente e sofisticado.

Este artigo foi originalmente publicado no O Jornal Económico a 28 de Maio de 2020, a convite da FLAG

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