Como alinhas PR com GEO para dominar motores de IA e multiplicar visibilidade? Descobre estratégias, dados poderosos e dicas práticas agora.
Em 2025, a forma como procuramos e encontramos informação mudou de forma estrutural. As respostas geradas por inteligência artificial tornaram-se a principal porta de entrada para milhões de utilizadores, substituindo a lógica de listagem de links por sínteses rápidas, credíveis e orientadas a decisão. Neste novo ecossistema digital, que abrange desde os media de referência até às plataformas generativas como ChatGPT, Gemini, Perplexity ou Claude, a integração entre PR e GEO (Generative Engine Optimization) tornou-se crítica. Dados recentes revelam que 89% das citações utilizadas por motores de IA derivam de earned media, fruto direto do trabalho de relações públicas, e 27% provêm de jornalismo credível. As marcas que não alinham estas duas disciplinas estão a abdicar de visibilidade no espaço onde hoje se moldam perceções, decisões e preferências de consumidores e decisores.
Na Do It On trabalhamos com um princípio inegociável: “Never assume, always check”. Esta regra aplica-se de forma particular quando falamos de comunicação alimentada por inteligência artificial. Não basta comunicar, é preciso provar, estruturar e demonstrar. PR e GEO são as duas faces desta moeda: de um lado, as Relações Públicas (PR) garante autoridade externa e independente; do outro, GEO assegura que a informação é legível e citável por máquinas que privilegiam sinais objetivos de confiança.
A mudança do Ecossistema de PR e GEO
O ecossistema digital alterou-se profundamente. Se até 2024 o SEO clássico era o motor de descoberta de informação, em 2025 esse lugar foi ocupado por motores generativos. O ChatGPT, Gemini e Perplexity não listam páginas, oferecem respostas. Essa mudança fez emergir um novo campo estratégico: o GEO, Generative Engine Optimization. Onde o SEO trabalhava palavras-chave e backlinks, o GEO foca-se em estruturar conteúdos que a Inteligência Artificial consegue processar, verificar e citar.
A ligação entre PR e GEO é direta. PR constrói autoridade através de earned media, entrevistas, artigos de opinião, whitepapers publicados em meios independentes. São precisamente estas fontes que a IA privilegia. Segundo a Firebrand, 89% das citações vêm de earned media e 27% de jornalismo. Ou seja, as marcas que dominam PR são as que dominam a forma como a IA responde.
Mas não basta ser citado. O GEO acrescenta a camada de legibilidade. Para que uma resposta seja selecionada, a informação tem de estar organizada de forma clara, com títulos diretos, frases curtas, números verificáveis e links para fontes reputadas. Press releases com decks de bullets, FAQs estruturadas no site da marca, glossários bem fundamentados e páginas de recurso com dados objetivos aumentam exponencialmente a probabilidade de citação por IA, como explica o estudo da Muck Rack.
Um exemplo concreto mostra esta relação. Quando um utilizador procura informações sobre as melhores práticas de sustentabilidade no retalho, a resposta do motor generativo dificilmente se limita a citar o site de uma empresa. Em vez disso, procura relatórios de imprensa, análises de consultoras, estudos académicos e artigos jornalísticos. Se uma marca tiver assegurado presença em todos estes pontos através de PR e tiver estruturado as suas mensagens para serem legíveis pela IA através de GEO, aumenta drasticamente a probabilidade de ser incluída na resposta.
A importância da localização neste processo não pode ser subestimada. A dimensão “G” do GEO, referente a geotargeting, é decisiva quando as perguntas têm intenção local. Um utilizador em Lisboa que procura informações sobre mobilidade elétrica não quer dados genéricos. Quer saber sobre incentivos fiscais portugueses, sobre níveis de poluição na cidade e sobre preços da energia na sua cidade e no seu país. Marcas que conseguem contextualizar as suas mensagens localmente são as que ganham relevância tanto para os motores de IA, como para os utilizadores. Estudos (ElToro, Airship) mostram que campanhas com geotargeting têm taxas de CTR até três vezes superiores e ROI até sessenta vezes mais eficaz do que campanhas genéricas .
Como definir uma estratégia de PR e GEO
Ao desenhar uma estratégia PR e GEO, o primeiro passo é o diagnóstico. É preciso mapear quais são as perguntas que a marca deveria já dominar e ainda não domina. Segue-se a identificação dos domínios mais citados pelos motores de IA no setor em causa. Se estes motores privilegiam fontes como a Reuters, Axios ou publicações de nicho, é aí que PR deve investir. O segundo passo é estruturar conteúdos owned com base nas perguntas prioritárias. FAQs no site, glossários com definições claras, press releases publicados primeiro no site e só depois distribuídos em wires, estudos de caso localizados e páginas de recurso com dados independentes. O terceiro passo é earned media alinhado com as fontes mais valorizadas pela IA. O quarto passo é medir e iterar.
As métricas mudam! Não basta contar menções em imprensa. É preciso medir a taxa de citação em IA, isto é, em quantas respostas relevantes a marca aparece. É necessário avaliar a cobertura das perguntas prioritárias e o peso de fontes de terceiros, assegurando que as afirmações críticas da marca são corroboradas por provas externas. Relatórios mensais que mostrem perguntas ganhas, perguntas perdidas, exemplos de respostas da IA e evolução da taxa de citação tornam-se instrumentos estratégicos de gestão.
No plano tático, existem doze decisões que aceleram a integração PR e GEO: diagnosticar a linha de base, priorizar temas alinhados com perguntas reais, criar conteúdos “GEO-ready”, desenhar uma arquitetura de página legível, investir em perfis de porta-voz consistentes, priorizar meios que a IA cita com frequência, reforçar bases de conhecimento como Wikipedia ou publicações académicas, adaptar mensagens ao contexto local, calendarizar produção em torno de perguntas concretas, manter governança editorial com uma única fonte de verdade, medir sistematicamente e capacitar equipas.
No futuro próximo, os comunicadores serão engenheiros da comunicação. Aaron Kwittken, fundador da PRophet, defende que a comunicação será “human-led and AI-fed”, liderada por pessoas mas alimentada por dados e ferramentas de IA, como refere na entrevista dada à PR News Online. Isso exige equipas que dominem a narrativa, dados e automação em simultâneo.
A ideia central é clara: PR e GEO já não são opcionais, são estruturais. Quem controla onde e como a IA encontra informação sobre a sua marca, controla como a sua história é contada em milhões de respostas. A próxima ação é simples: identificar em que perguntas a marca já devia aparecer e ainda não aparece, estruturar conteúdos para corrigir essa ausência e garantir earned media nos domínios mais citados. É assim que se conquista espaço nas respostas da IA.

